bala perdida

quinta-feira, setembro 25, 2008

Choke



Há uns anos atrás, em 1999, ainda no Século XX portanto, a extinta revista Face portuguesa (alguém se lembra?) fazia capa com o Brad Pitt em pose cabedal cool a propósito do novo filme de David Fincher, Fight Club. A curta existência desta publicação teve ao menos o condão de aguçar o meu interesse por tal película, especialmente através dos estranhos anúncios (parte da genial campanha de promoção do filme) que acompanhavam a transcrição da entrevista ao futuro senhor Jolie. O mais intigrante deles reproduzia uma imagem do Edward Norton deitado de lado no sofá com a boca aberta, umas olheiras de meio metro à volta dos olhos e a intrigante frase

não, não podes morrer de insónia.

Foi este o meu primeiro contacto com o imaginário do escritor norte-americano Chuck Palahniuk, autor do homónimo livro que o argumentista Jim Uhls adaptou para Fincher filmar em grande estilo. À saída daquela sala de cinema de província nesse longínquo ano de 1999 afigurou-se como evidente a necessidade de conhecer mais sobre a figura por detrás desse chorrilho de provocações incorporado em celulóide. Sem ser um grande sucesso de bilheteira, Fight Club não deixou ninguém indiferente, para o bem ou para o mal, sendo nos dias de hoje, quase uma década depois, apontado por muitas cabeças pensantes como o filme definitivo da geração Y (não confundir com o suplemento pseudo-culto-urbano do Público). Uma lista publicada pela revista britânica Empire há pouco tempo (mais ou menos anteontem) com os 500 melhores filmes de sempre coloca o filme num muito prestigioso décimo lugar.



Palahniuk, que escreveu Fight Club enquanto trabalhava como mecânico, depois de ter visto recusada a publicação do seu primeiro manuscrito (Monstros Invisíveis, publicado posteriormente, em 1999, editado em Portugal pela Casa das Letras), tem já uma série de romances publicados, afirmando-se hoje como um autor de culto nos E.U.A. e além-fronteiras. Após o semi-sucesso do filme que adaptava Fight Club, Survivor (Sobrevivente, também editado em Portugal pela mesma editora), uma estrambólica história sobre cultos religiosos, linhas S.O.S. Suicídio e conselhos de limpeza para fornos micro-ondas, narrada em flashback pelo protagonista enquanto pilota um avião desviado numa missão suicida, seria a próxima obra a adaptar ao cinema. Mas os acontecimentos de Setembro de 2001 fizeram com que os produtores do filme abandonassem o projecto, receando que alguém relacionasse as duas coisas e em seguida o Pentágono começasse a bombardear a casa de Palahniuk com o intuito de descobrir as armas de destruição maciça que ele guardaria numa arrecadação do quintal, junto do adubo para as leguminosas.

Após uma série de rumores sobre adaptações de outros romances que invariavelmente acabavam em desmentidos, Clark Gregg, um actor secundário de séries de televisão e cinema pegou em Choke, tomo quarto da bibliografia de Palahniuk, com o intuito de o transformar em película. Choke (Asfixia, também editado no nosso país pela Editorial Notícias, na colecção Made in U.S.A.) trata da vida um tanto peculiar - como sempre nos livros de Palahniuk - do seu protagonista, Victor Mancini, um viciado em sexo em (suposta) recuperação, que divide o tempo entre o emprego, num parque temático que reconstitui uma vila colonial americana, e visitas a uma mãe que já não o reconhece, internada num lar para idosos com problemas mentais. O título do romance remete para uma outra, menos digna, actividade que Victor exerce em restaurantes finos: provocar o sufoco através da ingestão de grandes pedaços de comida, deixando-se ser salvo pelo providencial bom samaritano com o qual estabelece uma momentânea relação de maternidade que nunca terá conseguido estabelecer com a própria mãe.



Os romances de Palahniuk partem sempre de um dispositivo do género, personagens que vivem nas margens da sociedade e que se envolvem em actos burlescos, grotescos, muitas vezes verdadeiramente escabrosos. Muitos críticos referem depreciativamente que o que Palahniuk escreve é junk food. Não deixa de ter alguma verdade essa afirmação, mas para o escritor norte-americano esse lixo é apenas mais uma matéria-prima que ele trabalha para construir narrativas cuja estrutura e temas não fogem muito do romance americano clássico (esperemos que não apareça por aqui algum estudioso das Letras para me meter no meu lugar). Os resultados variam. Choke não será dos seus melhores livros (os meus preferidos: Survivor, Fight Club e Haunted), mas o virar da última página deixa sem dúvida uma série de cenas marcantes na nossa cabeça. Vamos esperar que o filme consiga fazer alguma justiça a essas imagens. A estreia em Portugal está prevista para... parece que ainda não se sabe bem quando. É esperar.

Se alguém estiver interessado em saber mais sobre a escrita de Palahniuk, há um pequeno conto disponível aqui. É um excerto retirado de Haunted, livro que que funciona como uma espécie de compêndio de histórias de horror. O conto está alojado no site de fãs do escritor (com carradas de informação), que Palahniuk, provando que é bem fixe, nomeou como o seu site oficial.

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sexta-feira, agosto 01, 2008

Payne



Na sua demanda por lucros nunca dantes imaginados (necessários para financiar um estilo de vida cujos pilares fundamentais são a coca e o champanhe Cristal) os estúdios de cinema norte-americanos têm-se virado essencialmente, nos últimos tempos, para o aproveitamento e/ou reciclagem de produtos de sucesso, tanto no seu próprio segmento (as sequelas) bem como em outras áreas próximas: êxitos livreiros - Harry Potter, Senhor dos Anéis, Príncipe com Caspa - figuras de acção - G.I. Joe, Transformers, o próprio Bruce Willis é uma espécie de boneco articulado - BD - desde o Batman "noiré" até ao "emo-Spiderman" em tons de rosa, um autêntico filão que só agora começa a ser explorado com algum discernimento (ver o dossier Demolidor, ou como se transforma uma das criações mais interessantes do mundo aos quadradinhos numa pastelada encabeçada pelo pastelão-mor Ben Affleck), etc.

Há relativamente pouco tempo julgou-se ter descoberto um novo filão: os jogos de computador/consola. O primeiro filme de que me recordo (nessa onda) é o Doom (2005), a adaptação para o cinema do jogo com o mesmo nome, uma epopeia de massacre alienígena aos comandos de bazookas que disparam raios nucleares, ou coisa que o valha. Ora, acontece que passar duas horas metido num canto do quarto com as luzes apagadas (para criar ambiente propício) a matar essa bicharada toda ao som de música industrial composta pelos NIN, não é exactamente o mesmo que "ver" três ou quatro actores a fazer o mesmo no ecrâ de uma sala de cinema. Durante o filme, à aproximação dos primeiros seres do outro mundo a abater, a tendência é para procurar instintivamente com a mão direita o toque do rato/comando, premir durante 2 segundos o botão de ataque secundário e esperar que a granada de fragmentação faça o resto. Ao invés disso, no filme os heróis escolhem sempre a arma errada e um dos elementos secundários da equipa acaba por perder a vida de forma inglória (normalmente, o que pertence a uma minoria étnica - ver também o que acontece no Transformers).


Diferenças gritantes entre o filme e o jogo.

A não-interactividade da experiência cinematográfica (para além dos esporádicos grunhidos da audiência que interferem com os efeitos sonoros produzidos pelo sistema surround) condiciona a transposição directa de produtos que funcionam à base do matraquear incessante de botões até deixar a pele dos dedos em carne viva. Surge então a necessidade de produzir um elemento muitas vezes estranho ao mundo dos vídeojogos (e de muito cinema americano recente também): o argumento. Tal como Doom, outras posteriores adaptações de jogos de grande sucesso não souberam respeitar esta regra e falharam miseravelmente (a nível de público - mesmo contando com a base de admiradores do videojogo - e reconhecimento crítico), como o recente Hitman (2007) - do jogo onde se passam muitas horas a estrangular malta com cordas de piano - ou a trilogia de banhadas Resident Evil (2002/4/7). Ou ainda o visualmente impressionante mas extremamente secante Silent Hill (2006), realizado por Christophe Gans (de quem recomendo vivamente o espatafúrdio espectáculo de kunf-fu esotérico com lobisomens - e Mark "Corvo 2" Dacascos, e a Bellucci - na França do Séc. XVIII, O Pacto dos Lobos).

A esperança em que surja algum filme de jeito no meio deste novo filão de adaptações (porque, evidentemente, não as vão deixar de produzir) vira-se então para os vídeojogos que possuam logo à partida uma história interessante e algo profunda/complexa. Há alguns anos atrás esta última afirmação era concerteza um contrasenso, tirando as excelentes aventuras gráficas da Lucasarts que preenchiam tardes (e noites) da adolescência com os Nirvana na aparelhagem a substituir os bips irritantes do PCspeaker. Porém, hoje em dia não se pode pensar da mesma maneira, pois até um género "clássico" dos videojogos como o FPS (First Person Shooter) da Segunda Guerra Mundial vai buscar elementos narrativos e de construção/encadeamento de cenas ao cinema - quem jogou o Medal of Honor e viu o Resgate do Soldado Ryan (1998) ou a série Band of Brothers (2001) já não sabe ao certo que partes é que pertencem a cada um dos três.


Max Payne redefinindo o termo ironia.

Todo este blábláblá serve essencialmente como enquadramento para a estreia (em breve) de mais uma adaptação de um vídeojogo para cinema. A diferença aqui é que pela primeira vez as expectativas (as minhas, pelo menos) são algo elevadas, porque se trata do grande Max Payne. Quem é este gajo com um nome ao mesmo tempo genial/totalmente idiota? É o protagonista de um vídeojogo noir, um polícia meio abrutalhado com um perfil semelhante ao do Ricardo Rocha, veste gabardine com forro interior de pele de leopardo onde guarda duas (pistolas com muito estilo) Beretta. O apelido Payne é uma referência ao facto de lhe terem morto a mulher e a filha (muito Steven Seagal). Quando Max Payne está ferido (no vídeojogo), não come hambúrgueres nem "corações que rodopiam no chão", nem medikits ou coisa que o valha. Max Payne recolhe analgésicos (painkillers) que de algum modo remediam a sua dor física e espiritual. Durante os tempos de carregamento das várias fases do jogo surgem vinhetas de BD, estilo novela gráfica, que enriquecem a narrativa do jogo, ao mesmo tempo que, sobre uma camada de piano melancólico, a voz de Payne, o nosso narrador na primeira pessoa (muito à noir), reflecte sobre a sua vida miserável e as 527 pessoas que vai ter de matar para pôr tudo nos eixos. Durante o decorrer desta odisseia sanguinolenta por noites cheias de neve numa cidade meia Nova Iorque, meia Chicago, sucedem-se duplas e triplas traições, desfiles de mulheres fatais e gangsters sebosos com sotaque italiano, quartos de hotel a cair aos bocados e, finalmente, inúmeras sequências de tiroteio em câmara lenta que parecem copiadas do Matrix, ou então foi ao contrário. Ah, e há um nível do jogo muito tripante que se passa num pesadelo dentro da própria cabeça do Max, enquanto ele ouve o choro do bébé e os gritos da sua mulher.


À esquerda, Payne. À direita, Marky Mark in da house!

Resumindo: Max Payne (e a sua sequela, The Fall of Max Payne) é um vídeojogo do caraças porque se disfarça como um belo de um filme noir, mas com a possibilidade de se distribuir balas pelos gajos que chateiam muito. Será que o filme conseguirá atingir ao menos uma réstia da excelência do jogo, recuperando esse espírito noir que o distinguia dos demais "tiro-neles"? A ver pelo trailer, até se acredita nisso, mas de súbito aparece o Mark Wahlberg como Payne e não consigo pensar numa escolha pior para protagonista (uma sugestão bem melhore caso se faça um segundo episódio: Michael Madsen). É dar uma olhada no trailer abaixo e esperar pela estreia (dia 17 de Outubro nos states) a ver se vale a pena. Entretanto, recomendam-se os dois jogos do Payne, para quem ainda tem tempo para isso, entre preocupações com a recessão económica e as declarações do Presidente da República sobre o estatuto autónomo dos Açores.


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quinta-feira, junho 26, 2008

Robot Rock



Por um momento abandona-se o calor da pista de dança gerida por jWoofer, rumando a uma esplanada que proporcione a sombra necessária para o arrefecimento do cérebro, condição ideal para uma breve dissertação sobre cinema. Nos próximos tempos vão estrear duas películas que desde há meses/anos têm causado especulação q.b. de modo a aumentar exponencialmente as reservas de saliva de muito boa gente.

No caso de Wall-E, mais uma produção da Pixar, a angústia na espera relaciona-se directamente com o grau de infalibilidade que a (desde há pouco tempo) subsidiária da Disney tem apresentado na criação de Obras-primas do Cinema de Animação, três palavras que simplesmente não apareciam lado a lado até essa malta porreira decidir fundar em Fevereiro de 1986 os Pixar Animation Studios. Depois de brinquedos, monstros, peixes, super-heróis, carros e ratos, é a vez das atenções se centrarem num pequeno robot (meio E.T., meio Curto-Circuito - nada a ver com a amostra de televisão na Sic Radical que preenche as tardes de: 1) putos que faltam às aulas e 2) pessoal que fuma muita erva ou/e mete ácidos) de remoção de lixo deixado só e abandonado (que triste!) no planeta Terra depois do mundo ter acabado.



O trailer (acima) e outros previews deixam perceber que é um filme quase mudo, o que pode ser interpretado como um sinal positivo, porque os filmes de animação cheios de diálogos conseguem ser muito chatos - quase todos os que não foram produzidos pela Pixar, incluindo Shreks e sucedâneos. A qualidade maior da malta da Pixar é o empenho que colocam na caracterização das personagens dos seus filmes, na riqueza de detalhes da expressividade e das interacções entre o que muitas vezes não são mais do que objectos estácticos, como o prova a sua primeira e aclamadíssima curta-metragem realizada por John Lasseter em 1986.



RocknRolla, o próximo filme de Guy Ritchie, tem que ser olhado com outro tipo de expectativas. Depois do sucesso dos seus primeiros dois filmes, Lock, Stock(...) e Snatch (praticamente iguais em termos de argumento, mas mesmo assim dois bons filmes), Ritchie fez uma coisa qualquer com a sua novíssima esposa, Madonna, de que nem me lembro o nome e é muito difícil de arranjar até na secção de adultos do vídeoclube da esquina. Passado o tempo necessário para que toda a gente se esquecesse que "aquilo" tinha acontecido e, numa tentativa de regresso ao tipo de cinema que ele sabe fazer bem, surge Revolver, outra vez o mesmo argumento dos dois filmes iniciais, mas (e aqui é que a porca torce o rabo) cruzado com pseudo-interrogações místico-identitárias-esotéricas e... xadrez! Ainda por cima metia um dos gajos dos Outkast a "fingir" que era actor.

Ritchie parece ter tirado daqui uma ilação óbvia: "Não te metas com a malta da música!". Mandou a Madonna dar uma volta e meteu-se ao trabalho de realizar um outro filme, que pela pinta é outra vez a mesma estória de "gangsters vs. nabos em Londres... em câmara lenta". E isso... isso é bem fixe.


Madonna terá voltado a encontrar o amor nos braços (?) de um cavalo, segundo uma entrevista a Mário Augusto a ser transmitida na próxima semana.

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domingo, fevereiro 24, 2008

Prognósticos



Chegou a noite mágica de Hollywood e aqui na Bala não se fala noutra coisa a não ser no voo que perdemos e nos impediu de estarmos presentes no Kodak Theatre hoje à noite. Não obstante, a TVI desempenha, milagrosamente, um serviço público e transmite em directo a noite cinéfila mais aguardada do ano. Vou ser directo e conciso nos prognósticos - escolhas pessoais e claramente tendenciosas.

Actor Secundário - Casey Affleck (The Assassination of Jesse James...)
Actriz Secundária - Cate Blanchett (I'm Not There)
Actor Principal - Daniel Day Lewis (There Will Be Blood)/Vigo Mortensen (Eastern Promises)
Actriz Principal - Ellen Page (Juno)
Realizador - Paul Thomas Anderson
Filme - No Country For Old Men

Para acabar, o óscar de melhor fotografia deverá ser entregue ao Roger Deakins, que filmou tanto o No Country For Old Men, como o The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford - para mim seria por este que ganharia o óscar. Resta dizer que o Jesse James foi o incompreendido filme da temporada e que, por isso, não foi além das duas nomeações (que deverá arrecadar) e desejar que o John Stewart seja bastante ácido nas suas habituais abordagens político-sociais americanas.
Até amanhã.

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segunda-feira, janeiro 21, 2008

Lynch e o seu f****** iPhone



Mais uma vez, o super-realizador preferido de muita gente (onde se inclui o Jóne, que dedica todas as noites alguns momentos, antes de se deitar, à escrita de belos poemas dedicados ao homem, ou melhor, a determinadas partes da sua massa encefálica) surpreende-nos com uma breve declaração. Neste caso uma defesa apaixonada - com direito a palavrão e tudo - do verdadeiro cinema, tomando como objecto principal do seu ódio a apregoada revolução que propõe, num futuro próximo, trocar a tela das salas de cinema por um ecrâ de telemóvel de 12 por 4 cm, ou coisa que o valha.

Aos que discordam da sua opinião, Lynch promete que irão em breve receber a visita da mais assustadora personagem alguma vez capturada em película (qual King Kong, qual Alien, qual dinossauro jurássico) desencantada de um dos mais escuros recantos do cérebro do realizador, e que até já foi referida neste pasquim. Se ainda têm dúvidas, esta sequência do Lost Highway pode esclarecê-las. Eu sinto pavor só de me lembrar desta carantonha:



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quarta-feira, dezembro 12, 2007

Indy 4eva



Nada como usar um título arraçado de nome de tema hip-hop - tão em voga nestes tempos em que 90% das crianças com menos de 12 anos trocou a ambição de ser um dia polícia ou bombeiro para optar pela vida de dread - para chamar a atenção para o lançamento do poster oficial daquele que poderá ser o filme mais/menos interessante de 2008 (riscar um deles a partir de 22 de Maio, data de estreia em sala), Indiana Jones and The Kingdom of the Crystal Skull.

A denominação escolhida para o quarto tomo da saga mais louca do cinema contemporâneo, juntamente com a trilogia Regresso ao Futuro, encerra em si um apelo místico-esotérico que faz qualquer fã do "Dáktã Jounz" (como o Minorca lhe chamava enquanto usava uma caixa de sapatos para chegar ao acelerador do carro que conduzia no segundo Indy, o do Templo Perdido ou Maldito, nunca percebi bem) recear pela saúde do filão inaugurado em 1981 por Steven Spielberg, com o auxílio do seu amigalhaço George Lucas. Uma caveira de cristal? Porque não um fémur de pedra-pômes? Ou uma rótula de tofu? Um título que junta ao mesmo tempo as palavras "caveira", "cristal" e "reino" é uma espécie de concentrado de referências vagas.

O que se sabe ao certo é que acção tem lugar nos 50s e o filho do Indy é interpretado pelo puto dos Transformers, aquele com nome de perfume (Shia laBeouf). Infelizmente, no capítulo dos mauzões da fita, os charmosos sacos de pancada nazis foram substituídos por comunas soviéticos, daquele género que se junta a conspirar no café Troika, junto à Praça da República em Coimbra (aquela malta de barba que ainda fuma Português Suave Amarelo).

É esperar para ver, com os dedos a fazer figas para o velhinho Harrison Ford não deslocar a bacia nas filmagens, enquanto foge de calhaus rolantes. Até lá, nada como recordar o primeiro filme da saga, aquele da Arca Perdida, aqui numa versão restaurada de 25 segundos produzida para agradar a um público com A.D.H.D..

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quarta-feira, novembro 07, 2007

There Will Be Blood



O filme novo do P.T. Anderson (não tem nada a ver com telefones), o gajo que pôs o Tommy Cruise a verter lágrimas em frente às câmaras no mega-épico Magnolia, já tem trailer. Chama-se There Will be Blood e estreia nos states por alturas da consoada. A narrativa baseia-se num romance de Upton Sinclair, Oil, sobre a exploração de petróleo nas Américas do início de 1900. Daniel-Day-Lewis volta a fazer uma pausa no seu emprego como sapateiro para protagonizar um filme em que mais uma vez é o mauzão de serviço e onde promete assustar muitas pessoas com o seu bigode e voz cavernosa. O puto mudo do Little Miss Sunshine é o jovem líder de um culto religioso meio satânico (e fã das igrejas desenhadas pelo Tadao Ando, como o olhar treinado do arquitecto certamente notará no trailer). De outro quadrante chega o guitarras dos Radiohead, Jonny Greenwood, para escrever a partitura que acompanha todas estas bonitas imagens e de que se fornece uma pequena amostra.



O trailer (como decerto terão reparado) é tão infinitamente bom e promete um filme tão bestialmente extraordinariamente fixe-a-délico que até dá vontade, depois de enxugar a lágrima ao canto do olho, de telefonar para o senhor P.T. (pleonasmo) a ver se ele nos envia uma cópia de pré-visualização do filme, talvez simulando a voz sexy do Mário Augusto, esse grande maluco, não sei. Ou prometendo oferecer-lhe uma t-shirt dos Universal Studios em troca.


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terça-feira, outubro 16, 2007

Machete


Rose McGowan, em Planet Terror - a cyborg mais sensual do ano.

A segunda parte do Grindhouse chega finalmente a Portugal, depois de um interregno de alguns meses – houve inclusivé a hipótese de vir directamente para vídeo e, nesse caso, pessoalmente mudaria a minha nacionalidade para um país bem longe daqui, estilo Uganda ou Sri Lanka. Felizmente veio para o cinema e, tal como era de esperar, Rodriguez redimiu-se de todos os seus pecados e apresenta uma obra verdadeiramente notável. Não é, no entanto, para todos. No fim, há duas coisas que qualquer homem deve ambicionar: ter um blusão de cabedal e uma miúda sem uma perna.
Antes da exibição do Planet Terror é-nos esfregado na cara um trailer maravilha intitulado Machete, que imediatamente indica
que o Rodriguez não entrou no esquema Grindhouse (rapidamente desfeito) para brincar. O Machete, interpretado por Danny Trejo, que consegue ser ao mesmo tempo, o mais famoso e o mais energúmeno actor mexicano – mas não é por isso que deixaremos de o idolatrar – é um mercenário mexicano que, basicamente, é mau como as cobras. Daquelas do tamanho de arranha-céus.

O trailer torna-se num objecto de culto construído principalmente em três momentos: quando a voz off anuncia que “they just fucked with the wrong mexican”; quando a mota dele é bafejada por uma explosão nuclear e é projectada a 1 km de distância com ele lá montado; e finalmente, por terem conseguido arranjar, não uma, mas duas tipas loucas (ou cegas) o suficiente para darem um beijo no Danny. O trailer é de um filme fictício (mas que poderá dar origem a um filme real) que é uma autêntica viagem ao passado – a uma época em que se faziam filmes de acção a sério. Daqueles em que o duplo do protagonista partia os dentes no asfalto e rasgava a pele na chapa da mota. O Danny como só se metia em filmes Z's, nunca teve um duplo – protagonizava ele próprio as quedas com a dentição directamente no ferro.
O resultado é esta carinha de santo.

Danny Trejo é, além de esbelto, bastante dotado na arte do canto lírico.

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domingo, junho 17, 2007

Ainda Há Pastores?



O documentário Ainda Há Pastores? de Jorge Pelicano venceu o FICA - Festival Internacional de Cinema Ambiental do Brasil (diz-se que é o maior festival de cinema ambiental do mundo e arredores). É de louvar o esforço feito por ele e pelo resto da malta que o acompanha, por terem conseguido levar um filme português assim tão longe. Até o Hermínio (o pastor) acompanhou a equipa ao Brasil e teve a oportunidade de, pela primeira vez, ver uma mulher.
Em nome da Bala, deixo aqui um forte abraço ao grande Jorge pelo seu prémio.
O blog oficial é este aqui: www.aindahapastores.blogspot.com (tem uma foto com o Hermínio a tomar banho rodeado de brasileiras, por isso vale a pena).
O site do FICA é este: www.fica.art.br

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segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Óscares 2007



Ainda que doente arranjei forças suficientes para resistir ao cansaço que é ficar até às 5 da manhã a olhar para uma televisão, na esperança de ver o que, realmente, superou tudo o que era esperado.

A noite começou com as derrapagens do costume com o Mário Augusto na Sic Notícias a dizer as balelas do costume o que é sempre bom para aguçar o apetite. A malta de o púbico e da revista-sobre-tudo-menos-cinema e todos os pseudos-críticos aclamavam a uma só voz a vitória de Babel como melhor filme. Aqui o Juanito avisou, inclusive enviei mails à redacção deles e avisei-os que Babel não ia ser o premiado como o melhor filme de 2006. Ninguém ligou.

Adiante, a noite começou tímida enquanto a Ellen Degeneres ia mandando as graçolas próprias de um bom anfitrião – que foi. Os primeiros prémios decorreram sem grande atribulação, alguma surpresa para o Pan´s Labirinth que arrecadou logo os 3 primeiros, mas tudo muito sereno até a primeira fífia da noite chegar com a entrega do Óscar de melhor animação. Foi anunciado o Happy Feet quando toda a gente sabe que o Óscar de melhor animação era do Cars da Pixar. Sem comentários. O período negro da noite, continuou quando entrou o Ben Afleck no palco para umas das homenagens da noite. Nessa altura, admito, estive quase a desistir e fui fazer umas torradas. Depois de barrá-las bem com manteiga, olhei para o azulejo partido da minha cozinha e pensei, isto não pode piorar mais porque já se enganaram num Óscar e o Ben Afleck entrou no palco, levantei a cabeça e mentalizei-me que as coisas podiam mudar e, para celebrar esse novo fôlego que me assolou bebi um copo de leite cheiinho até cima, de penalty, assim como quem bebe tequilla. Mandei-me para a sala e recostei-me no sofá. Entretanto o Alan Arkin ganhou o Óscar de melhor actor secundário, a melhor canção foi para uma do filme do Al Gore e as coisas começaram a fazer sentido. O primeiro pico da noite foi quando o Gustavo Santaolalla ganhou o segundo Óscar consecutivo de melhor banda sonora, depois de o ter arrecadado o ano passado com o Brokeback Mountain – ambas verdadeiramente fabulosas. Este que viria a ser o único Óscar da noite para Babel. Nesta altura já a tipa dos ídolos americanos tinha também arrecadado o Óscar de melhor actriz secundária – o que devo dizer desde já que me parece injusto, porque para premiar cantores existem outros prémios, nomeadamente os Grammys e os Globos de Ouro portugueses. Daí em frente foi sempre a subir, com o melhor argumento adaptado a recair em The Departed, e o original a saltar para as mãos do tipo que escreveu o Little Miss Sunshine.

Depois a Ellen Degeneres criou dois dos melhores momentos de televisão alguma vez transmitidos na história da TVI (o terceiro ainda estaria para vir) superando mesmo o pontapé de Marco na boca da Sónia, quando foi entregar um “argumento” ao Scorsese e pedindo depois ao Spilberg para tirar uma foto a ela própria junto do Clint Eastwood (Madeira-de-Leste) que ontem apenas se levantou para ir urinar e para entregar o Óscar (honorário) ao Morricone – visivelmente emocionado com a oferenda da academia. Absolutamente fabuloso. O melhor actor era um 50-50 entre o Forest Whitaker e o resto da malta, se bem que eu acho que o Leo já merecia um prémiozito pelo seu trabalho assim como o Peter O’Toole que ainda se dignou a ir ao teatro kodak para ver mais uma estatueta passar-lhe ao lado. A melhor actriz estava mais que confirmada, e a Hellen Mirren acrescenta assim o Óscar a um lote de prémios que já vai extenso. Depois o grande momento da noite, e que marca a história da noite oscariana quando o Spielberg o Coppola e o Lucas sobem ao palco, juntos, para entregaram, obviamente, o Óscar ao Scorsese. Não podia ser de outra forma nem podia ser entregue, por estes três, a outra personalidade que não aquela. Quando os três treparam ao palco foi um prenúncio explícito que daí a um minuto, que foi o tempo que demoraram a trocar a graçola do Óscar – porque o Lucas foi o único deles os três que não foi ainda galardoado com um Óscar – iriam anunciar o inevitável. Finalmente ouviu-se o que há muitos anos se devia ter ouvido e, o Scorsese teve a sua recompensa.

Para o último prémio aparece-nos a (outrora) bela Diane Keaton e o bicho humanóide que é Jack Nicholson, dispostos a anunciarem tudo menos “Babel”. E foi o que aconteceu, o Clint Madeiras já estava a levantar a mão a modos que a esboçar um agradecimento e um sorriso, o Spilberg também já se dirigia ao palco quando o Jack Nickolson, surpresa das surpresas, anuncia “The Departed” em vez de “Letters From Iwo Jimma”.

E acabou. Pena que passou tão rápido – para o ano há mais. Indeed.

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quarta-feira, janeiro 31, 2007

Vintage 2006 TAGV



Pegando na deixa dada por Lima Ácida, aproveito e faço um apanhado para a malta que quer ver ou rever alguns dos objectos cinematográficos produzidos em 2006. O TAGV que é sem dúvida o melhor que aconteceu a esta cidade - e estou a incluir o aparecimento da BALA, a abertura do Fórum Coimbra e a plantação de Laranjeiras no Parque Verde – presenteia-nos com o já célebre Vintage – um olhar sobre os melhores filmes produzidos no ano passado.

O programa é o seguinte (todos os filmes têm início às 21h30m):

1 Fevereiro quinta-feira
Marie Antoinette da Sofia Copolla

2 Feveriro sexta-feira
Match Point do Woody Allen

7 Fevereiro quarta-feira
Volver do Pedro Almodóvar

12 Fevereiro segunda-feira
A History of Violence do David Cronenberg

13 Fevereiro terça-feira
Brokeback Mountain do Ang Lee

16 de Fevereiro sexta-feira
Inside Man do Spike Lee

23 de Fevereiro sexta-feira
Le Temps Qui Reste de François Ozon

24 de Feveiro sábado
Paradise Now de Hany Abu-Assad

8 Filmes que foram seleccionados para integrar os melhores de 2006, que segundo me parece, demonstram relativamente bem o que se fez durante o ano. Acho que podiam ter integrado um ou outro filme oriental – não me perguntem qual, perguntem ao Rozé, ele é que é o especialista – mas parece que, por exemplo, o The Promise também poderia figurar na lista (o Montanha Quebra-Costas, foi realizado pelo Ang Lee, taiwanês, mas é um filme americano). Parece-me que a lista é bem equilibrada e agrada-me especialmente os primeiros dias, em que um tipo, se fizer directa, terá o privilégio de ver “no mesmo dia” a Kirsten Dunst e a Scarlett na mesma tela. Mais não se pode pedir.

O Maria Antonieta é, para quem já esteve em Versailles ou para quem gosta de pop-rock, especialmente atraente, porque o filme tem essa capacidade de cruzar o “clássico” e o pop. É cool. O Match Point é, evidentemente, o melhor filme do ano e, quem não o viu deve pedir perdão a Deus e rezar bastante, para que ainda haja bilhetes para o ver no TAGV. O Volver, não faço ideia, mas pelo que ouço a malta dizer é digno de se ir ver com os pés lavados com pedra pomes e água rés. A History of Violence foi bom, muito bom mesmo de se ver, e o Cronenberg continua a fazer das suas, mas não de uma forma tão visceral, mais madura provavelmente, em que o recurso ao animalesco é feito de uma forma mais subtil, não tão directa. Uma História de Violência é isso – um Cronenberg, exactamente igual a si próprio, mas com outra linguagem formal. Depois o Brokeback Mountain, objecto que muitos caracteres obrigou a malta a debitar no mundo inteiro e aqui no blog, e que, para mim, é excepcional a vários níveis, incluindo na provocação que faz – com sucesso óbvio – à representação da sociedade actual que continua a olhar para a homossexualidade como algo maléfico que deve ser evitado e condenado a todo o custo. O Inside Man, foi uma desilusão, para mim claro, porque é inconsequente nos temas que aborda, como a corrupção e o racismo. É demasiado tangencial para ser minimamente profundo. Desiludiu-me precisamente porque foi feito pelo Spike Lee e não acho que esteja à altura de obras tão boas como o Malcom X, o Summer of Sam ou o The 25th Hour. O Le Temps Qui Rest, não vi, por isso não me posso pronunciar, ganhou um ou dois prémios no Festival Internacional de Cinema de Valladolid. Por fim o Paradise Now, que parece ser muito bom, ganhou uma data de prémios nomeadamente em Berlim e o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. Está nomeado para os Óscares também nessa categoria. Resumindo, vamos ter um bom mês de Fereveiro pela frente, porque para juntar ao TAGV Vintage 2006, teremos também um campeonato nacional de futebol ao rubro, em que o Benfica dá espreitadelas ao primeiro lugar ocupado momentaneamente pelo F.C. Porto.

Para a malta masoquista que gosta de ler textos como este, ao longo deste último ano escreveram-se posts sobre alguns dos filmes que vão ser exibidos aqui no burgo conimbricense, é uma questão de procurarem aí na caixa em cima e à esquerda que diz “search”. E escreveram-se textos também sobre biologia marítima e física nuclear, mas esses foram noutros blogs.

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quarta-feira, janeiro 24, 2007

Setenta e Nove Óscares

Finalmente saíram as nomeações das “estatuetas mais cobiçadas de L.A.” que premeiam os “melhores” filmes de 2006 o que decorreu sem grandes surpresas, e por isso deixo aqui um par de comentários bem parciais e especulativos sobre as nomeações principais, ou não fosse este blog uma espécie de “República das Bananas Cibernética”, ou como nós aqui na redacção gostamos de lhe chamar, “Pasquim Electrónico”.

Temo que o próximo mês seja dedicado inteiramente ao debate informal de quem será o grande vencedor da noite dos Óscares, deixando mesmo para trás discussões relativas ao aborto. Não estou a ver ninguém em Hollywood preocupado com a situação da legalização ou não da interrupção voluntaria da gravidez até às 10 semanas.


Aqui a luta é feroz e apesar de ainda não ter visto nem o Babel nem o Letters From Iwo Jima, asseguro desde já aos interessados que nem o Little Miss Sunshine nem o The Queen vão ganhar o prémio, e isto não é porque não tenha gostado dos filmes, por mim até podiam ganhar os dois ex aequo, mas como são filmes oriundos de estúdios pequenos, acho que os tipos da academia vão andar mais à volta dos filmes do Scorsese e do Clint “Madeira de Leste”. Está visto que o Babel, por mais interessante que possa ser, também não vai levar a estátua simplesmente porque é realizado por um mexicano e o Óscar é um prémio norte americano. Disse.


Aqui a minha escolha é um bocado animalesca e vai por exclusão de partes. A ver. Meryl Streep, leva as tais 300 nomeações, das quais já ganhou duas ou três, não sei bem, e como já faz parte da mobília, a nomeação parece-me serena, mas, se fosse para premiar novamente a outrora bela Meryl, não me parece justo que fosse por um filme sobre moda – sim e sobre valores morais e sobre não sei quantas, mas para isso é que existem os filmes da Disney e os do Spielberg. Meryl salta do lote. Segue-se a Judi Dench, nomeada 5 vezes nos últimos 9 anos, e que ganhou o Óscar curiosamente quando interpretou o papel de rainha (Shakespear in Love), o que me apetece dizer que caso fosse a eleita para interpretar o papel que a Helen Mirren desempenhou, este parágrafo não seria tão extenso por razões óbvias. A Judi Dench que tem uma gestão muito inteligente da sua carreira porque vai ganhando ouro aos pontapés a fazer de M nos 007’s, e nos intervalos, vai fazendo papeis dignos de ganharem imediatamente um Óscar, sem sequer passar pelas nomeações, mas como já ganhou uma vez, por mim este ano pode ficar a fazer companhia à Meryl. Temos também a Penélope, esse orgulho da nação (espanhola) que, infelizmente, em Hollywood, não vai ser desta que vê o seu valor verdadeiramente reconhecido (caso haja suficiente para o ser, vamos ver o que faz no futuro).
Agora as verdadeiras candidatas ao prémio de melhor actriz. De um lado temos a Helen Mirren que, como já tinha dito anteriormente tem uma interpretação assim a modos que “para o brutal”, conta já com duas nomeações em vão como actriz secundária e provavelmente estará na hora de a premiar (até porque já está a ficar velhinha). Do outro lado temos a “muy bela” Kate Winslet, que não obstante de fazer um filminho de merda de vez em quando, é uma actriz muito boa que também já merece a estátua desde que fez o mal-amado Titanic e o incompreendido (lá pelas terras do tio Sam) Eternal Sunshine of The Spotless Mind (e ainda foi lá outras duas vezes como nomeada para melhor actriz secundária). O meu coração descai para a Katezinha, mas o bom senso leva-me a dizer Helen The Queen.


Agora é que “a porca torce o rabo”, porque como ainda não vi nenhum dos filmes vai ser mesmo à sorte (se bem que o Blood Diamond já apareceu aqui no meu computador, não sei bem como). Assim, visto à bruta, diria o seguinte: porque é que o Steve Carel não foi nomeado? (pelo Litlle Miss Sunshine) Porque se tivesse sido, a escolha era muito mais fácil. Conformando-me com esta pequena desilusão, denoto algumas ironias do destino. Primeiro vejo o Leo a ser nomeado, o que deixa muito boa gente por esse mundo fora, a arrancar cabelos e a mandarem-se contra as paredes só de pensar que a noite pode acabar com o Leo a levar consigo ouro no bolso. Depois porque o Leo é nomeado, mas não por um filme do seu “padrinho” Scorsese. Terceiro é impossível não reparar que, após 10 anos de rodarem o Titanic (e isto tem o seu coeficiente romântico) o Leo e a Kate vão finalmente “juntos” a uma cerimónia da entrega dos Óscares. Estou verdadeiramente comovido. O Peter O’Toole, essa lenda viva do cinema americano (há quem diga que foi ele que escreveu a declaração da independência) tem um historial verdadeiramente assombroso na noite oscariana: 7 foram as vezes que lá foi, e que ficou sentado – para se ter uma noção real da coisa, a última das sete nomeações data de 1983. Espantoso. Depois, 20 anos volvidos, a academia decidiu entregar-lhe o prémio honorário (2003) e este ano, volta a ser nomeado, e cheira-me que vai passar a noite sentado outra vez – afinal já lhe deram o Óscar “carreira”. Depois vem um tipo que sinceramente não conheço, ainda tentei investigar o seu passado, mas Ryan Gosling, é um tipo que faz questão em manter a confidencialidade, seguido por outro que normalmente faz papeis secundários – e bem, diga-se de passagem – e que finalmente, pelos vistos, teve a sua hipótese de brilhar, Forest Whitaker (acho que a última vez que o vi tinha sido no Phone Booth). Por fim Will Smith, que das duas uma, ou alguém tem amnésia lá para os lados da academia, ou anda aí outra pessoa com o nome de Will Smith que fazia de agente secreto na saga Men in Black. Não vejo, assim de repente, outra explicação plausível. Se bem que o gajo já tinha sido nomeado pelo Ali, por isso, admito, exagerei um pouco. Dito isto, vou num instante atirar 3 folhas ao ar com o nome dos que podem efectivamente ganhar o Óscar, e a que cair em cima da mesa, é o nome que fica. Não, agora mais a sério, aposto no Steve Carel para ganhar o Óscar (não obstante da academia se ter esquecido de o nomear).



Bem, vou então acelerar o processo de escrita, senão não há pachorra para ler isto tudo de rajada. Aqui, a escolha é bastante tendencial e pesar de ter gostado muito do Borat, do The Departed nem tanto, e de não ter visto nem o Little Children ou o Notes on a Scandal, disparo já em direcção ao Children of Men, que eu avisei, é um filmão (assim mesmo grande). Mas, como além de um coração, conto também com um cérebro que me dá azo a reflectir sobre as coisas, acho que é mesmo um desses dois (protagonizados por figuras femininas) que vai ganhar o prémio.


Aqui estou completamente às escuras e aqui sim, vou mesmo pelo coração e voto no Little Miss Sunshine que é muito porreirinho. Até deu para rir e tudo.


Finalmente a categoria mais apetecível – pelo menos para mim. Vamos aos factos (da esquerda para a direita). O Cint Madeira de Leste já conta com 3 ou 4 nomeações das quais venceu 2 vezes (nesta categoria uma pelo Million Dollar Baby e a outra pelo The Unforgiven). O Stephen Frears é aquele outsider que fez o Hi Fidelity, juntamente com o Paul Greengrass que depois do Bloody Sunday, rodou este United 93 (pelo meio ainda teve tempo da “meter o pé na argola” quando fez o Born Supremacy sucessor do Born Identity, ambos protagonizados pelo Matt Damião) mas que tirando este pequeno incidente com o Matt Nunca Fiz Nenhum Papel de Jeito Damon, até podia levar a estátua. Depois vem o Mexicano Iñarritu com as suas histórias fragmento/inter-relacionadas, tema recorrente nas suas obras. Por fim o Martin Já Devia Ter Ganho o Óscar Quando Fazia Filmes de Jeito Scorsese. Mas nunca ganhou, ficou a vê-los passar por 5 ocasiões (Raging Bull, Last Temp. Of Christ, Gooffellas, Gangs of N.Y, The Aviator – e estes foram só os relativos a melhor realização). Passemos às suposições. Supondo que os outsiders são excluídos à partida de um eventual galardão, os focos incidem então nos outros 3. O ano passado o Óscar de melhor realizador foi parar ao Oriente (Taiwan, aliás eu e o Rozé, o ano passado, tivemos uma discussão deveras emotiva sobre as diferenças étnicas e culturais entre Taiwan e a Tailândia) e este ano, supondo que os tipos queiram entregar o prémio a um conterrâneo, a disputa será (como acontecerá no Óscar de melhor filme) entre o Madeira de Leste e o Scorsese. Pensando em termos práticos, o Clint Madeiras, já levou o homenzinho banhado a ouro 2 vezes para casa, e das duas uma, ou a academia finalmente faz com que o Scorsese salte da cadeira e faça mangos a toda a gente da plateia, ou faz com que ele salte da cadeira mas para enfiar um pêro na cara do Madeiras. De qualquer das maneiras vai ser um serão bem agradável, como sempre, passado na companhia das grandes estrelas de cinema mundiais, e de um ou dois cromos que aparecem a comentar o desenrolar da coisa com o profissionalismo e rigor que a TVI já nos habituou.

Um último parágrafo para deixar mais uns tiros no escuro, em relação ao melhor actor secundário, fiquem de olho no Mark Wahlberg (esta foi a modos que esgalhada a par com o Rozé), e o Óscar de melhor animação vai, de certezinha (podem já fazer a aposta na bwin) para o Cars, da Pixar. A cerimónia é no dia 25 de Fevereiro, noite na qual se espera muito whisky e coca lá para os lados da Sunset Boulevard. Disse.

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domingo, novembro 26, 2006

Ó Jóne: olha o Zodíaco!



Retomando umas pistas deixadas pelo Jóne aqui há uns meses no nosso estimado blogue, venho por este meio anunciar que não ganhei o euromilhões (um pasteleiro de Avintes que tinha visto a primeira série do Lost ripada em divx pelo sobrinho do meio da irmã mais nova jogou com os números do Hurley, el badocha) e o filme novo do mestre Fincher tá aí quase a rebentar nos escaparates mundiais (19 de Janeiro, portanto o dia seguinte ao aniversário de um gajo altamente cujo nome me escapa por momentos).

O site é imperdível, uma mixalhada flash/3D bastante original e muito bem esgalhada e o trailer promete uma película que vai deitar a casa abaixo, à maneira do Tom Jones (ele prefere incendiá-las, como diz no refrão). O donnie dos coelhos faz o papel principal de cartoonista-de-jornal-meio-aparvalhado e andam para lá uma cambada de caramelos muito conhecidos, destacando-se o Robert Downey Jr., filho do Bob Downey Sr., que é um actor do caraças mas só entra em filmes rascas (Gothika, esse belo desperdício de fotogramas) e pior, séries segmento-SICMulher (Allie Mcbeal, advogada anoréctica para todo o serviço).

Ao passar as vistas por esta primeira amostra do Zodiac, deu logo para ver que o gajo, o Fincher, o David, continua a surpreender o pessoal com ideias inovadoras na utlização da câmara de filmar - é só ver os planos aéreos tipo birds'eye view de um táxi e de uma ponte. Resta confirmar se o argumento tem nível para isto (há sempre aquele medo de tentarem repetir aqui o 7even, o único filme de serial-killers que é realmente estupendo, para não dizer mais -
no outro extremo do ranking temos O Coleccionador de Ossos , taco-a-taco com o Saw, que já vai para o terceiro tomo naquela que é conhecida como a Trilogia da Banhada) e se os actores não entram numa de dar em cabotinos, que isto de juntar tanto talento num filme nunca dá muito resultado, é esperar para ver, carísssimos.



Força aí, ó Fincher!
(já agora, arranja à malta o número da Chloe para discutirmos uma ou duas cenas do Brown Bunny)

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sexta-feira, maio 19, 2006

Maria Antonieta vs. Sofia Cópula: a batalha das cabeleiras postiças, Tomo I



Não querendo entrar já no domínio da ciberpornografia, como vem sendo hábito (esporádico) neste pasquim electrónico, não me lembrei de melhor imagem para iniciar esta dissertação sobre um filme que só verei em Outubro, quando estrear entre nós, o pessoal que não tem convite para Cannes. Aos senhores da PJ aviso desde já que a moçoila, a Dunst, já é maior de idade, apesar de na película assumir o papel de uma jovem princesa austríaca que deposa o Luís XVnão-sei-quantos aos 19 aninhos, tornando-se automaticamente na mulher com mais grana do mundo. Montes de pasta e de poder, vivia-se bem na altura, antes destas coisas de repúblicas, democracias e vinte e cinco de abris e o pessoal do bloco sempre na TV a desbobinar um discurso incipiente.
Dizia eu, o filme está no festival de Cannes, inserido na competição oficial e, pelo aspecto do bicho, diria que vai arrumar com a concorrência, nem o tuga Pedro Costa, com mais um dos seus dramas urbano-depressivos, vai aguentar de pé no fim. Não tenho dotes premonitórios, ao contrário do professor karamba, mas mesmo só tendo pousado as vistas no trailer promocional do "Marie Antoinette", já o considero um dos melhores filmes de sempre (ok, exagero, mas tenho a certeza que é melhor que o "Spy Kids 3d"!).
É a celebração do poder do trailer! Desde o promo do homevideo da paris hilton que nada me despertava tanta vontade de ver um filme. Começa com uma música brutalíssima dos New Order, que sugere logo que isto não vai ser a treta da reconstituição histórica pseudoromântica do costume (jane austen sucks, really!). Depois vemos imagens da menina, algumas bem catitas em slo-mo, uns travellings pelos salões de baile e, quando percebemos que o rei é interpretado pelo Jason Schwartzman, temos a certeza que o filme vai arrebentar com a escala, porque um gajo que fez o papel principal no melhor filme dos últimos tempos (que o jone teve o desplante de não ver e, depois, perder a minha cópia) não pode estar errado - o algodão não engana, já dizia o mordomo e eu corroboro.
Mas será que a menina Sofia vai mesmo superar o outro melhor filme dos últimos tempos, que até foi ela que realizou e escreveu, onde o billy murray e a divina escarlate andavam a flirtar no meio de tokyo por uns dias, história de amor pós-moderno que atingiu com violência certeira os corações de românticos incuráveis, homens casados de meia-idade e ninfetas adolescentes (com dois dedos de testa e um palmo de cara) acabadas de sair da faculdade por esse mundo fora (e até gajos intratáveis como eu)? Espero até Outubro para ver e depois, se confirmar a qualidade do produto, sou o primeiro a assinar a petição para o copolla pai pedir a reforma e se dedicar à produção vinícola e a palestras sobre o apocalypse now e a trilogia do padrinho.
Vejam o trailer e não se arrependerão!
(se não gostarem vejam o trailer da lassie, também deve ser bom!)

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quinta-feira, maio 18, 2006

O Código Miró



Após um jejum de mais de 2 semanas, resolvi quebrar o enguiço e empenhar-me novamente na redacção de um texto. Como o relógio já deu as 4 da manhã à algum tempo atrás este conjunto de palavras, denominado texto, corre sérios riscos de não fazer grande sentido em certas passagens (como esta). O Código da Vinci é o filme que vai estoirar nas salas de cinema nos próximos dias e promete ser, por um lado, um fiasco e por outro um sucesso. Passo a explicar-me. Milhões de pessoas compraram o livro do D.B.. A Maria (Madalena) é mais falada que Cristo, o priorado do Sião deixou de ser secreto (e real), a Opus Dei anda a castrar os tipos que deixaram sair informações, e o papa até já aprovou o sexo com preservativo em certas ocasiões (no caso de haver sida ao barulho). E tudo isto porque o Da Vinci era homossexual e pintou um dos apóstolos com cara de gaja. Ou seja o Brown anda-me a estragar o prazer todo de ir a um museu e apreciar, na minha ingenuidade, que uma mulher nua pintada num quadro não passa de uma mulher nua pintada num quadro. Porque agora corro o risco de estar a olhar para o peito dela e aquilo representar, sei lá, pistas da localização dum projecto de uma bomba nuclear criada por antigos SS que trabalhavam secretamente para o Hitler algures na palestina, e que tinham estreitas ligações com o Islão, o que era uma contradição, porque o nazismo rejeitava raças (hoje em dia denominadas etnias) diferentes da ariana, mas é possível que houvessem documentos que altos dirigentes do partido nazi tivessem roubado aos (temporariamente) aliados russos, e que revelavam um segredo que iria permitir ao Hitler dominar o mundo (e a lua). Portanto, agora cada vez que olhar para um risco numa galeria de arte tenho que tentar desvendar duas coisas: a intenção do artista que, na arte pós-moderna, se releva uma tarefa praticamente impossível, e o “por detrás” da intenção. Ou seja, agora já não basta sentir-me estúpido por ver uma obra do Miró e interrogar-me “Que raio é aquilo?”. Agora a tarefa é duplamente exigente. É preciso procurar pistas em tudo o que é risco oriundo das cerdas de um pincel, em tudo o que é tela, em tudo o que é escultura. Mas por outro lado também eu próprio tenho umas questões que não encontrei resposta na história do Brown, como por exemplo, “Como é que é o traseiro da Mona Lisa?”. Esta é bastante pertinente (claro que rejeito veemente a hipótese de ela ser um gajo), e acho que mereço uma resposta no próximo livro (‘tá a ouvir Dan Brown?) que por essa altura (quando o Langdon descobrisse como era o rabo da Gioconda) seria uma saga mais extensa do que o Senhor dos Anéis (não, desta vez não vou começar a disparar comentários sobre a Weta, e vou limitar-me a dizer que há muito tempo que não ouço falar desse nome).

Agora o porquê do filme ser um fiasco e um sucesso ao mesmo tempo. Com o dinheiro estoirado na produção e na promoção do filme, é praticamente assegurado que a receita vai fazer com que o Ron Howard ainda faça filmes por mais uns tempos. Até porque como isto é uma adaptação de um best-seller, as pessoas que leram o livro querem ver se o filme corresponde à visão que tinham da história. E os que não leram o livro querem ver o filme porque ouviram dizer os que leram o livro que valia a pena ler o livro que não leram (grande!). No campo artístico o filme é bem capaz de ser um desastre (acho que posso afirmar isto mesmo antes de o ver), porque pareceu-me bastante evidente a vontade exacerbada de fazer o filme com grandes nomes do cinema mundial para que o filme fosse popularmente bem aceite. Depois há a questão de ser uma adaptação de um livro para cinema. Mas como é material muito recente e se tornou num fenómeno de culto imediato, não vai haver concerteza espaço à divagação artística e a uma articulação inteligente e rebuscada entre o texto (escrito pelo Brown) e a imagem.

De qualquer das maneiras estou em pulgas para ver o filme (até porque tenho um fraquinho pela Audrey Tautou) e porque conservo ainda uma esperança vã de, no caso de acontecerem reconstituições bíblicas, o papel da Maria Madalena ser interpretado pela Monica Bellucci.

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quarta-feira, abril 05, 2006

THE movie

Pessoal, acabadinho de sair do meu site preferido onde por vezes até se me aqueimam as retinas (não, não é nenhum site xxx nem mesmo o do vin diesel :D perceberam? Vin Diesel, ai ópá) acabei de saber de mais uma boa razão para esperar pelo ano de 2007, mais concretamente Julho de 2007! Data de estreia da família amarela mais amada por esse mundo fora - The Simpsons the movie! ai pois é, o teaser já anda por aí a circular e Homer e o seu gang não estão para brincadeiras! Tá já a ir para tudo o que é site respeitável a tentar visionar o dito! Nunca o Super-Homem esteve tão bem no ecrã! Viva o Homer, a Marge, o Bart, a Lisa, a Maggie e pronto vá lá, o Guterres que nunca perde o seu comboiinho aí pela Europa, ouvi dizer que ele anda aí pelo Alpe 3º a contar do fundo!

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sábado, março 11, 2006

Óh Fincher:

"Andas a tomar comprimidos para ficares com o cérebro maior?"
Perdido nas profundezas bytenienses do computador lá de casa encontrei esta imagem bastante digna de um post cá no sítio, porque encontrar estes dois no mesmo filme é um sonho tornado realidade. O Brad Pintas porque além de por as gajas completamente histéricas e a arrancar tinta de parede com as unhas, faz questão em ir mostrando que é bom actor nas andanças alternativas com o Ritchie o Gilliam ou o Fincher. O Eduardo Nortão por seu lado podia-se reformar hoje que já ninguém lhe tira o nome da lista dos 10 melhores actores de sempre do cinema americano - o gajo que aliás começou a carreira no cinema faz agora 10 anos (Primal Fear 1996).
Portanto pegar nestes dois, num guião que na primeira página diz "Fight Club" e ser o realizador que fez o melhor filme da década de 90 (não, não é o Pulp Fiction, é o outro que partilha o pódio) só podia dar um filme de culto instantâneo. E deu.
Agora, a coisa tornou-se um bocado mais complicada do que eu pensava. Passo a explicar. O mesmo gajo que fez aquilo que descrevi no último parágrafo, pegou num argumento chamado Zodiac, no Gyllenhaal no Downey Jr, e narra a estória real de um assassíno serial dos anos 70 do qual ainda hoje não se sabe a identidade. As coisas começam a tomar proporções brutais quando se sabe que o próximo filme, depois deste, irá chamar-se Benjamin Button e irá contar com a participação da Cate Blanchett e do Brad Pintas. Quando eu pensava que já tinha tido espasmos cardíacos suficientes, li a sinopse: um drama centrado no romance entre uma mulher na casa dos trinta (Cate Blanchett), e Benjamin Button (Brad Pitt) um homem de cinquenta anos que, em vez de envelhecer, começa a ver a sua idade a andar para trás...
Conhecida a explosão quimicamente comprovada que é provocada quando se põe "Brad" e "Fincher" no mesmo genérico, a única coisa a fazer é ir dormir e só acordar no dia em que sair o Zodiac, voltar a dormir e acordar em 2007 quando sair o Benjamin Button sim, porque:
a-) não estou a ver o Kubrik a voltar à vida para fazer um filme;
b-) não estou a ver o G. Ritchie a voltar a fazer filmes de jeito nos próximos anos (a não ser que largue a Madonna e volte para Londres);
c-) nem o Tarantino a fazer um filme no próximo ano;
d-) muito menos voltar a ver o Spielberg a rodar uma obra prima nos anos que se avizinham;
e-) o Tim Burton já fez o Eduardo-Mãos-Tipo-Tesouras e o Woody Allen o Match Point (ahahah!).
Assim nos próximos tempos teremos que nos contentar com o cinema indie ocidental (sim, porque o R Kelly tem um projecto na manga e o D Boyle está a acabar um filme), e com o cinema comercial produzido no oriente (tudo o que vem para lá do médio oriente - china, coreia, japão - incluíndo Taiwan e Vietnam).
Se o Fincher me quisesse matar de ansiedade bem que podia anunciar já hoje que a personagem feminina do Benjamin Button iria ser (não a Cate Blanchett mas sim) a Nicole Kidman ou a Julianne Moore. Assim ainda encontro forças para me aguentar por aqui e esperar que venham estes dois filmes que prometem partir a louça toda e arruinar qualquer tipo de concorrência realizadoriana que se queira sequer aproximar do nome "Fincher" no topo da lista contemporânea de "fazedores de cinema".
Como o post já vai longo e não quero ser acusado de andar aí a escrever Os Lusíadas Nas Paredes, vou dar por terminado a escrita por hoje. E tudo isto por causa de uma foto. Ou duas.

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segunda-feira, março 06, 2006

O Óscar do Clooney



Depois de uma noite bastante comprida a ver os pequenos anões banhados em ouro serem distribuídos (na televisão, calma lá, porque por enquanto ainda não recebemos convites para ir até à costa oeste dos u.s.), cabe-me a mim, o elemento já etiquetado como “hollywoodano” (apesar de ter qualquer coisa aqui dentro que me diz que prefiro Nova Iorque a Los Angeles) fazer o rescaldo da cerimónia.
A noite começou, como sempre, com vestidos desenhados por designers de alta costura a passearem-se pela passadeira vermelha, e acho que alguns tinham lá pessoas dentro. Os nomeados iam passando e tendo conversas bastante interessantes (algumas interessantes demais para serem seguidas) com os jornalistas californianos, que diga-se de passagem à inteligência e perspicácia não devem nada. Já instalados, e depois de um clip de abertura brutal – e com isto entenda-se literalmente BRUTAL, dos melhores que me lembro - é vez do Jon Stewart entrar e começar a debitar piadas à doida mas bastante bem esgalhadas. Entre elas lembro-me de uma que achei particularmente interessante em que ele dizia que este ano os filmes eram todos remakes: o king kong, o war of the worlds, o walk the line (remake do ray mas com brancos), etc.

Depois entrou a diva. Não a Neuza infelizmente, mas uma que está num patamar diferente (no mais alto de todos) e que responde pelo nome de Nicole. Veio, fez alguns chorarem (porque às vezes é difícil suportar a ideia de que nunca vamos estar com uma mulher daquelas) e entregou o óscar de melhor actor secundário. Eu tinha um favorito que era o Gyllenhaal, não só pelo desempenho do gajo na “montanha quebra costas”, mas porque ele é simplesmente o melhor actor da sua geração e, além disso acho que ele vê uns coelhos a andarem por aí e a dizerem que o mundo vai acabar. Foi o bon vivant do Clooney que levou a pequena estátua. A esta hora está com certeza na penthouse mais cara de L.A. com o amigalhaço do peito Brad Pintas a mamarem coca e a tomar banho em whisky.
O Jardineiro bastante Fiel do nosso quase compatriota Fernando (sim, porque quando interessa nós portugueses também sabemos ser interesseiros, como os espanhóis a tentarem roubar-nos o Siza e o Saramago) levou, nas mãos da belíssima Rachel Weisz (eu também gostava de estar nas mãos dela), o óscar pela representação num papel secundário.

A música também merece destaque, já que os temas que o Gustavo Santaolalla compôs para o Brokeback Mountain estavam simplesmente geniais. O gajo é argentino e já tinha feito as bandas sonoras do Diários de um Motocicleta, do Amor Cão, e do 21 Gramas. E desta levou o óscar. Um pequeno à parte para mencionar o nome da Música Original que ganhou o óscar com o mesmo nome, e se chama “it´s hard out here for a pimp” – eram uma cambada de gajos a saltarem e a fazerem assim (para cima e para baixo) com os braços e com chapéus virados para trás a gesticularem com a boca, porque acho que estavam a tentar cantar mas não conseguiam. O Memórias de uma Gueixa e o “Espectáculo Visual Macaco Kong” levaram cada um três óscares nas categorias mais técnicas. O Gueixa venceu no vestuário, direcção artística e fotografia (onde estava também nomeado o Batman Begins), o Kong arrecadou os óscares nos efeitos especiais, na edição e mistura de som. O Munique do Spielberg ficou a vê-los passar (será porque é um filme que tem o dobro da duração que devia?), assim como o Boa Noite e Boa Sorte.

Na noite dos óscares tive o prazer (ou não) de ver o Capote. É sem dúvida uma interpretação notável do gordo louro, mas é precisamente esse o verdadeiro problema do filme. Vive muito da interpretação do Seymour Hoffman e pouco mais (também vive um bocadinho do racismo que havia na américa naquele tempo). Assim foi um óscar de melhor actor merecido para o gajo. É no entanto de louvar a nomeação arrecadada pelo Bennett Miller, que fez a sua primeira longa-metragem de ficção e a vê nomeada para os óscares mais apetecíveis. Em relação à Reese Witherspoon, ganhou bem o seu óscar, mas cheira-me que é do tipo de gaja que quando damos por ela está a fazer filmes tipo “American Pie 5” ou “Jane Queen of the Jungle” ou qualquer coisa assim. Esperemos que não.
Em relação aos argumentos, a Montanha Quebra Costas ganhou o prémio para adaptado, e o Match Point ganhou para o argumento original. E se não ganhou devia ter ganho, porque o filme é brutal demais para andar aí a perder óscares para filmes fatelas como o Colisão. O Woody Allen teve neste filme a 15ª nomeação para melhor argumento original, o que perfaz um recorde nesta categoria. O Colisão é escrito e realizado pelo Paul Haggis que tinha escrito a Bebé de Um Milhão de Dólares, esse filme que só se deve ver uma vez na vida porque é depressivo demais para voltar a ser visto.

O nosso amiguinho taiwanês (nem tailandês nem chinês) Ang Lee, levou para a ilha dele algures entre a China e o Japão o óscarzinho para melhor realizador, bem merecido porque o filme gay dele estava bem fixe. Depois, já com o Jack Nicholson on stage e pronto para entregar o prémio de melhor filme, o gajo abre o envelope engana-se e diz “Crash” em vez de “Montanha do Quebra Costas”. Mas como era um erro demasiado grave para ser corrigível ali em plena noite televisiva americana, deixaram os gajos celebrar, e acho que até deixaram os produtores irem lá buscar os óscares... eheheh... Agora imaginem só a cara deles quando lhes disserem que a estatueta não é para eles mas é para o filme do Taiwanês.
Acabada a noite, nós europeus vamos dormir porque já são praí umas 5 da manhã, eles americanos vão para a noite com as actrizes dos filmes, para as disco nights e para os cocktails, e depois vão todos ter à penthouse do Clooney (lembram-se a de à bocado?) e depois aí que vai ser... Ou então não.

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segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Óscares 2005



Era inevitável. Apesar de eu saber que os restantes membros da B.P. não serem propriamente fãs dos prémios mais famosos do mundo (incluindo os Nóbeis), vou deixar aqui um desafio que se estende, obviamente, a todos os frequentadores assíduos (ou não) do Blog.

Visto por muitos como uma mera noite exacerbada do mundo do espectáculo hollywoodesco, os óscares são, quer se queira quer não, saudáveis para o mundo do cinema americano. Dão-lhe algum sentido. Algures no nosso inconsciente sentimos uma certa alegria quando sabemos que o filme de um dos nossos realizadores favoritos ganhou o oscar de melhor filme, ou quando soubemos, por exemplo, que a Nicole Kidman ganhou o cobiçado prémio de melhor actriz (algures) em 2002. Porém eu percebo a indignação de muitos - e estou de acordo - porque há óscares que são claramente mal atribuídos (e não vou dizer nomes, porque é obvio que isto tudo é muito subjectivo, mas parece que há aí umas pessoas que recebem oscares e depois poêm-se a fazer de Bond Girls e Cat Womans e não sei quê...).

Por outro lado há nomes que infelizmente nunca tiveram a devida homenagem na noite mágica do teatro Kodak. Também sem querer mencionar nomes, há aí um ou outro realizador que merecia figurar nessa lista e infelizmente morreram sem erguer a estatueta, com o oscar esculpido, ao céu. Os dois eram gordos, génios e, começaram a filmar a preto e branco, já ambos morreram, mas antes, um disse "rosebud", o outro fez dizer "droogs".

A grande falha dos oscares é o facto de praticamente nem sequer entrarem a concurso filmes que não sejam americanos. De vez em quando aparece um ou outro filme que é de produção inglesa, espanhola ou até brasileira (veja-se o caso ridículo da nomeação do Fernando Meireles, apenas no ano seguinte só para dizerem que o gajo foi nomeado). E eles pensam que nos podem ir comprando com estas nomeaçoezinhas pontuais. Nós queremos é a Europa em peso no teatro Kodak! O cinema japonês lá vai arrecadando um ou outro premiozinho nas animações, porque os gajos que votam eram incapazes de dar o melhor filme a um que não falasse inglês.
Se bem que, os óscares são um produto americano, feito por eles e para premiar os filmes deles, nós - humildes cidadãos do mundo não-americano - não levamos a mal as poucas nomeações extra continente americano (até porque nós também temos um festivalzito ou outro, com uns prémios bonitos - um leão, uma palma. um urso, uma concha - todos banhados a ouro, como o seu irmão mais velho o Óscar).

Dito isto, e vamos ser sinceros, toda a gente gosta (uns mais, outros menos) de um filmezinho americano de vez em quando. Assim, deixo aqui o desafio (lembram-se, aquele do inicio do post, já lá vão umas dezenas de linhas...) para comentarem este post em forma de critica vidente aos filmes que estão nomeados este ano e que são candidatos ao senhor Óscar. E também aos actores, e às actrizes e essa malta toda que faz os filmes terem sentido, e não sejam apenas um conjunto de planos desorganizados e sem interesse. Claro que convém VER OS FILMES ANTES DE SE PRONUNCIAREM SOBRE ELES.

Até breve Companheiras e Companheiros de blog.
p.s. - o Match Point está nomeado para o óscar de melhor argumento original. eheheh.

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